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"Todos podemos e devemos fazer do material vivo de nossa personalidade, não
importa se mármore, argila ou ouro, um objeto de beleza no qual possa
manifestar-se adequadamente nosso Self Transpessoal.”
Roberto Assagioli
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Breve histórico do Centro de Psicossíntese de São Paulo 
Encontro de Andrée e Mariagrazia
Como surgiu o CPSP?
1999: Criação do Centro
Encontro de Andrée e Mariagrazia
Essa é a história do encontro de Mariagrazia Sassi e Andrée Samuel que, de uma certa forma resultou na fundação
do Centro de Psicossíntese de São Paulo em 14 de novembro de 1999.
Mariagrazia Giovanna Sassi, psicóloga e psicoterapeuta, foi Presidente do Instituto de Psicossintese em Firenze,
e Diretora do Centro de Psicossintese de Bologna, num período de dez anos.
Há alguns anos cedeu seu lugar a pessoas mais novas, aos jovens, e dedica-se a difundir a Psicossintese
pelo Mundo assim como os Ensinamentos Espirituais que são sua raiz.
Para quem não sabe ainda, Mariagrazia é a Madrinha do Centro de Psicossintese de São Paulo!
[Obs.: O relato a seguir foi representado e dramatizado por Andrée e Mariagrazia em forma de sketch
no dia 14 de novembro passado, quando da celebração dos Dez Anos do CPSP]
A Pré historia
Mariagrazia - Há anos, tendo experimentado na minha vida, e na de meus clientes,
o valor e o poder de transformação, que o trabalho sobre a Vontade traz em cada um, nos grupos e, intuí,
na humanidade, - há anos dizia eu - pensava a respeito de um Congresso Mundial sobre a Vontade.
Em 1996, aconteceu que fui eleita presidente do Instituto de Psicossintese (Florença). No mesmo período
encontrei, no arquivo pessoal de Roberto Assagioli, em Florenca, um papelzinho no qual ele havia escrito
“Vontade: palestras, aulas, cursos, pesquisas, depois um Congresso.”
Entendi que esta coincidência com meu pensamento era a indicação para minha primeira tarefa neste cargo.
Três meses depois já estava programado um Congresso Internacional de Psicossintese em San Diego, na
Califórnia do qual participei e no qual anunciei o Congresso sobre a Vontade para daqui quatro anos. Desse
modo teríamos o tempo necessário para a preparação do mesmo.
Lá encontrei muitas pessoas sem poder ter uma troca muito significativa com elas porque meu inglês não
era suficientemente bom. Lembro de três bonitas japonesinhas; lembro também de uma mulher vistosa, vestida
de branco com uma flor violeta no cabelo: Eva-Louise que também anunciou um Congresso para o ano seguinte.
Andrée - Do meu lado, eu já trabalhava com a Psicossintese havia mais
ou menos 20 e poucos anos. Os pedidos para fundar um Centro, uma Associação, enfim, alguma instituição eram
muitos. Minha resposta era sempre um “Não” firme e categórico! Isto até o momento em que comecei a me sentir
desconfortável em relação aos meus alunos, às pessoas que, em confiança, vinham participar dos cursos de Formação
em Psicossintese que eu organizava e coordenava, assim como dos vários workshops que eu oferecia.
A necessidade de honrar a confiança dessas pessoas, e a própria Psicossintese, fundando um Centro
começava a impor-se.
No Canadá
Andrée - A minha pré-história no Canadá: por inúmeras razões, familiares
e financeiras, fazer essa viagem ao Canadá, para o Congresso organizado pelo Centro de Psicossintese
do Quebec, era absolutamente impossível para qualquer pessoa razoável e com pés no chão.
Porém, algo, uma poderosa voz dentro de mim dizia: “sim, todos os motivos que você elenca são de fato
suficientemente racionais e justificariam você não comparecer. No entanto, você tem que ir. É fundamental
que você vá.”.
É uma voz que fui aprendendo a reconhecer, a ouvir e a honrar.
Assim fui para o Canadá, onde fui gentilmente hospedada na casa de Eva-Louise, levar duas contribuições
apresentando meu trabalho.
Mariagrazia - Fui no Canadá com meu filho e aproveitamos para uma pequena
viagem turística: encontrei muitas coisas desconhecidas para mim e, num restaurante de Quebec, famoso pelos
seus cafés da manhã, vi uma mulher que me tocou profundamente. Ela tinha cabelos “ricos” que pareciam a
coroa de uma rainha, uma camisa de uma cor que me fascinou e, sobretudo, olhos brilhantes de fogo que
testemunhavam uma consciência especial.
O Congresso ficava num lugar maravilhoso, que se encontrava na região francesa e sem ligação direta
de telefone. Assim, para ligar, devia-se passar por uma voz que falava bem rapidinho em Francês, e obviamente
eu não entendia nada!
E qual foi minha maravilha vendo là a mulher lindíssima e descobrir que ela falava francês!
Dialogo
Mariagrazia - Por favor me ajude! Quero falar com a Itália e eu
não entendo nada. Já terminei a carga de um cartão sem poder entender nada nem me fazer entender pela operadora.
Andrée - Não se preocupe, vamos conseguir! Chamo eu e completo sua ligação.
Mariagrazia - “Grazie grazie!” obrigada! Muito obrigada! Merci! Thank you!
Como eu poderia, de maneira coerente, expressar minha gratidão?
Andrée - Não é nada!
Mariagrazia - Após esse episodio, ficamos juntas e descobrimos muitas afinidades.
Eu estava com uma colega italiana e outra americana que já havia ido muitas vezes para a Itália, mas
sentia-me cada vez mais sintonizada com a linda mulher e apreciando muito sua companhia mesmo que cada uma
de nós tivesse suas tarefas a cumprir e não tivéssemos muito tempo livre.
Andrée - Ao final do Congresso Mariagrazia, Phillys e Paola hospedaram-se
no mesmo hotel em que eu estava na Cidade de Quebec. Fomos passear juntas, conhecer a Cidade Velha de Quebec e
depois jantar num delicioso restaurante.
No Restaurante
Andrée - Há algum tempo que me vem a idéia de fundar o Centro de
Psicossintese em São Paulo.
Vozes de Phillys Clay e Paola Marinelli (do Istituto di Psicosintesi da Itália, presentes
no congresso do Canada) - Sim, sim! Sem dúvida! Você tem que abrir um Centro! Já devia ter feito isto!
Andrée - Mariagrazia olhou para as duas pessoas que falavam juntas e disse-lhes:
Mariagrazia - Calma! Calma! Antes de abrir um Centro Andrée precisa saber
o que significa fundar um Centro: organização, responsabilidade, a questão financeira. É uma decisão que não
pode ser tomada assim, no entusiasmo do momento!
Andrée - No dia seguinte tivemos um lindo dia juntas, Mariagrazia e eu,
que fortaleceu nossa amizade. Mariagrazia compartilhou comigo sua experiência enquanto Presidente do Instituto
do Psicossintese e conversamos mais sobre a eventual fundação do centro de Psicossintese em São Paulo.
A um determinado momento da nossa conversa, Mariagrazia pediu-me para ir no ano seguinte, em 1999, para
a Itália ajudar a organizar e preparar o Congresso Internacional do ano 2000 que aconteceria em Bologna.
Outro diálogo, dois anos depois na Itália, corredor do Istituto di Psicosintesi
Andrée - bom dia Mariagrazia! Como vai? Tudo bem?
Mariagrazia, sem responder ao meu bom dia, e com o dedo em riste olhando para mim me diz, com uma voz
que não permitia qualquer dúvida:
Mariagrazia - Você vai abrir o Centro de Psicossintese em São Paulo e eu
irei para a inauguração!
Seguiram-se nesse período dias de intensa colaboração nos quais Andrée convidou-me para passar férias
em São Paulo, na casa dela. Podem imaginar se eu não aceitei com a máxima alegria esse convite de poder
aprofundar essa maravilhosa amizade e conhecer um lindo pais que eu ainda não conhecia.
Como poderia não aceitar? Gosto muito de viajar. Antes eu viajava pouco em função dos filhos para
cuidar; além disso meu marido não queria viajar.
Pouco tempo depois no telefone Bologna - São Paulo
Mariagrazia - Oi Andree, como vai? Tudo bem? E Claudete, como vai? Dê
um beijo para ela.
Andrée - Mariagrazia! Que surpresa boa! Você vai bem?
Mariagrazia - Andrée, sinto muito. Desculpe. Não posso mais aceitar
o seu convite.
Andrée - O que aconteceu, Mariagrazia? Por que você não pode
aceitar o convite?
Mariagrazia - Tenho um problema. Aconteceu algo muito desagradável
na minha vida. Este problema implica também complicações econômicas. Não posso mais ter férias assim
caras. Vamos deixar para outra vez... ou para outra vida...
Andrée - Você teria disponibilidade para vir a São Paulo e oferecer
algum workshop? Você aceitaria trabalhar?
Mariagrazia - Claro que sim! Eu gosto muito de trabalhar.
Andrée - OK. Então faremos o seguinte: você fará uma palestra para
a inauguração do CPSP e oferecerá um workshop sobre a Vontade. Pode ser? O investimento das pessoas para
assistir ao seu workshop cobrirá sua passagem. O convite para você ficar na minha casa é válido hoje e sempre!
Mariagrazia e Andrée, juntas - Assim foi concebido o Centro de Psicossintese!
Como surgiu o CPSP?
por Andrée Samuel (#)
Como surgiu o Centro de Psicossíntese de São Paulo?
Relembro nesse momento quando alunos e clientes, ao sentirem os benefícios da Psicossíntese na suas
vidas, me perguntavam insistentemente “Andrée, você não vai fundar uma Associação, um Centro, uma
Instituição?...” Ao ouvir essa pergunta eu invariavelmente respondia: “Não! Meu trabalho é a transmissão
da Psicossintese. Se eu dividir minha energia com o trabalho administrativo que uma instituição requer
talvez eu não consiga fazer o que realmente eu tenho para fazer.”
E assim trabalhei de 1985 até 1998 quando algo novo começou a emergir.
Comecei a ouvir uma voz interna me dizendo: “Está tudo bem. Você vem transmitindo a mensagem de
Dr. Roberto Assagioli há vários anos. As pessoas procuram os Cursos de Formação, os workshops, a terapia
e se beneficiam com o trabalho. Para todas essas pessoas que demonstram assim sua confiança talvez seja
o momento de você pensar agora em fundar um Centro...”
Confesso que minha primeira reação foi de fazer de conta que eu não havia ouvido nada! Afinal eu estava
tão certa que isto não tinha nada a ver comigo! Fundar um Centro! Imagine só se eu iria me lançar nessa
aventura e me “desviar” do meu caminho!!!
Mal sabia eu que, quando é chegado o momento de dar um novo passo, o Universo não para de “cutucar”.
Fazer de conta que não ouvia essa voz só me trouxe mal estar em relação a mim mesma e perante meus
alunos... Que resistência era essa? À medida que fui aceitando a idéia - de pelo menos ouvir e olhar
essa possibilidade - a fundação de um Centro tornou-se uma evidência. Eu não podia não fundar um Centro!
Eu devia isto à Psicossíntese e a todas as pessoas – alunos, clientes, participantes dos workshops - que
generosamente me permitiram aprofundar esses conhecimentos dentro de mim mesma o que me permitia também
realizar meu processo pessoal.
Foi assim que, em 1998, num Congresso de Psicossintese em Pohénégamook, na província de Québec, no
Canadá, conversando com duas amigas italianas e uma americana, todas elas dirigindo Centros de
Psicossíntese, a idéia foi se tornando cada vez mais consistente.
Em 1999 fui para Bologna, Itália, a pedido da minha amiga-irmã Mariagrazia Sassi que era na época
presidente do Instituto de Psicossíntese de Firenze e diretora do Centro de Psicossíntese de Bologna.
Organizávamos o Congresso Internacional de Psicossíntese “Will to Will” para o ano 2000. Foi nessa
minha estadia na Itália que a decisão de fundar o Centro de Psicossíntese de São Paulo foi definitivamente
tomada.
Mariagrazia me disse que viria à inauguração do Centro Brasileiro. Promessa também feita pela minha
amiga Eva-Louise Hamer, do Centre de Psychosynthèse du Bas Saint Laurent, Pohénégamook, Quebec, Canadá.
1999: Criação do Centro
por Andrée Samuel (#)
Ao retornar ao Brasil, a primeira medida foi chamar um contador e pedir-lhe que me orientasse para
que as primeiras providências para a criação do Centro fossem tomadas. Estávamos em julho de 1999. Para
que minhas duas amigas pudessem estar presentes na inauguração do Centro, precisávamos que toda a
documentação estivesse pronta até o mês de novembro do mesmo ano. Era necessário passar por cinco
etapas legais, uma dependendo do aval da outra, para o estabelecimento do Centro. O contador não
parecia acreditar que teríamos essa documentação em tempo hábil para novembro.
O fato é que em três meses estava tudo perfeitamente em ordem! Esse fato me fez pensar que
realmente o Centro nascia no momento certo principalmente quando ouvi o contador dizer que nunca havia
visto algo semelhante: não houve a menor dificuldade em nenhuma das cinco instâncias. Tudo transcorreu
com tranqüilidade e de modo fluido.
A inauguração do Centro de Psicossintese aconteceu no dia 15 de novembro de 1999 na Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo, com uma palestra de Mariagrazia
- "Do Eu ao Self: a trajetória evolutiva do Ser" - na presença
de muitos amigos e outras pessoas vindas para ouvi-la e prestigiar o Centro recém-nascido.
Em agosto desse mesmo ano, eu comuniquei aos meus alunos do grupo de formação da época que o Centro
de Psicossintese de São Paulo estava em vias de ser fundado. A noticia foi recebida com alegria e um
entusiasmo tão grandes que todas as pessoas do grupo se colocaram disponíveis para trabalhar como
voluntárias para que o Centro criasse corpo.
A partir do momento em que a situação legal do Centro foi estabelecida agendamos reuniões semanais
para dar corpo e alma ao Centro. Decidimos também abrir as portas para a Comunidade com palestras mensais
a respeito de Psicossintese.
(#) Andrée Samuel: Psicóloga, psicoterapeuta. Presidente-fundadora do Centro
de Psicossíntese de São Paulo. Coordenadora do Curso de Formação em Psicossíntese;
Professora de Pós-Graduação de Psicologia Transpessoal; Supervisora clínica;
facilitadora de grupos de desenvolvimento pessoal e auto-conhecimento.
Membro do Instituto de Psicosintesi, Florença, Itália.
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