Os Sonhos Tornam-se Realidade: A Liberdade de ser Plenamente Humano

por Will Parfitt (#)
O artigo a seguir foi compilado e traduzido pela Dra. Andrée Samuel.
[nota do Redator].
[Obs.: Este artigo já foi publicado no Boletim do CPSP No. 10.]
Fico bravo e sofro quando leio (...) reportagens catastróficas, de horror, de
genocídio, de bomba, de ódio. Tenho de viver com isto, mas o que viver com isto
significa? Poderia enviar algum dinheiro para refugiados famintos - sim, mas quanto?
Envio um pequeno valor para acalmar minha consciência ou um grande montante que anuncio
enviar, mas o que isso faria? (...)
É demais. Posso me entorpecer e fazer de conta, e às vezes tenho de fazê-lo,
porém todos os dias os horrores estão aí. Talvez eu possa encontrar uma saída de
um modo místico ou usar a "desculpa psicoterapêutica". Como estamos todos conectados,
se fizermos nosso trabalho pessoal, poderemos trazer uma mudança para toda a vida humana.
Posso sentar-me na minha casa confortável, no meu país confortável e ser um psicoterapeuta
que ajuda algumas pessoas em seus processos, trabalhar no meu próprio processo e,
fazendo isto, estou efetivando uma mudança para a humanidade toda.
Pode ser verdade porém todas as pessoas em Ruanda continuam lá, apavoradas,
os adultos e as crianças. Podem se sentir frustrados por estar desamparados. E onde
eu entro. Como uma criança desamparada, sento-me aqui no meu conforto e eu também
poderia me sentir amassado pela corrida pela sobrevivência.
Expressar tudo isto me faz me sentir um pouco melhor. Sei que não muda a situação
dessas pessoas às quais me refiro, porém a consciência pode mudar as coisas. Sei que
geralmente o simples reconhecimento de um padrão pode mudar o comportamento dos meus
clientes. Muitas psicoterapias assumem que é necessário tornar consciente aquilo que
está escondido ou não expresso. Expressando meu lamentável desamparo face a esses
horrores, permito que esses sentimentos venham à luz do dia. Posso agora verificar
qual é o seu efeito. Talvez eu envie algum dinheiro, talvez eu forme um grupo de ação,
talvez não faça nada. Talvez simplesmente trazer isto à luz da consciência, discutindo
e expressando seja suficiente. Como seria se todos fizéssemos isto? Talvez assim não
nos sentíssemos desamparados. As pessoas da Alemanha do Leste assim fizeram e o muro
de Berlim caiu. Em face a grandes adversidades, as pessoas podem realizar mudanças
simplesmente mantendo-se de pé e sendo contadas.
Posso gritar palavras de cólera e fúria ou mesmo descrever minha tristeza na
esperança que isto efetue uma mudança no coração dos opressores. Ouço, no entanto,
minha voz interior dizendo simplesmente: desperte! Como seria se todas as pessoas
do planeta, ao acordar pela manhã numa data específica, decidisse ter um segundo
despertar? Veríamos tudo o que aconteceu anteriormente como um sonho mau do qual
acabamos de acordar. Todos nós começaríamos a atuar de modo cuidadoso, ajudando-nos
uns aos outros. As plantações européias nutririam as pessoas da África; os sérvios
seriam amigos dos bósnios muçulmanos, trabalharemos todos para preencher as necessidades
uns dos outros e as nossas só serão atendidas sem causar dano a ninguém.
Uma fantasia utópica você disse? Eu também, mas nada é impossível. Se eu não me
permitir a liberdade para criar possibilidades - mesmo que elas não se manifestem
- então não me permito a liberdade de ser plenamente humano. Isto limitaria todo
pensamento livre assim como abertura de coração para os sentimentos. Como você gostaria
de ver o mundo? Se perguntássemos isto a cada uma das pessoas, tenho certeza que a grande
maioria teria sonhos, fantasias, idéias e sentimentos similares. A forma seria diferente
mas a intenção seria a mesma. Os poucos que gostariam de ver um mundo de vergonha,
de horror, de dores seriam certamente uma pequena minoria que não teríamos dificuldade
nenhuma em dissuadir. Sonhos de pessoas com Martin Luther King e John Lennon são
conhecidos e compartilhados no mundo todo por muitas pessoas. Todos nós temos esses
mesmos sonhos. Precisamos expressá-los e continuar expressando-os. Poderemos não
estar fazendo bem nenhum mas não faremos nenhum mal. E quanto mais continuarmos a
expressar nossos sonhos, encorajando outros a expressar os seus, maior a nossa chance
de acordar um dia num mundo mais cujo cuidado seja a nova ordem.
Will Parfitt
(#) Will Parfitt é Escritor, Psicoterapeuta, Cabalista. Concluiu sua especialização em psicossíntese
em 1981, e possui grande experiência em outros métodos de auto-realização. Realiza workshops e
seminários de treinamento nos aspectos práticos da psicologia esotérica e transpessoal, além de exercer
a psicoterapia clínica. Veja também
www.willparfitt.com.
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