O Observador Internopor Mercedes Saad (*)
Minha primeira experiência em Psicossíntese: a “torta”. Objetivo da vivência: conscientização de minhas subpersonalidades. As fatias da “torta” foram preenchidas com as respostas dadas à pergunta: “quem sou eu?” Em seguida, foi solicitado que, com a ajuda da imaginação, eu me visse em pé no meio da “torta” com as devidas subpersonalidades ao meu redor, cada uma em seus espaços. Escolhi aquela que encarnava a tristeza. Permitindo que minhas sensações, emoções, sentimentos e pensamentos fluíssem, ao observar a “torta” por algum tempo, senti que eu queria dizer que “minha consciência era a minha tristeza”, que “eu era a tristeza”, ou seja, “eu me identificava com minha tristeza”. Nova solicitação foi feita. “Vagarosamente, deixe essa subpersonalidade, dê um passo para trás, para dentro do centro da “torta”. Faça isso com equilíbrio, com calma, serenamente.” Agora, ao responder à pergunta “quem sou eu?”, direi: “eu sou eu.” Procedi da mesma forma com as outras subpersonalidades: ora dirigindo-me do centro da “torta” para o espaço da subpersonalidade, ora retornando para o centro, e, novamente, movendo-me do centro para a subpersonalidade, da subpersonalidade para o centro, criando uma dança entre as subpersonalidades e o centro, até que a dança esmorecesse e eu permanecesse no centro. Assim, a partir dessa experiência, aprendi o "estar limitada, absorvida, dominada, identificada com uma das subpersonalidades". Vivenciei também o "des-identificar-me" dela, através de um centro, um eixo denominado eu, self, observador interno. É a partir da identificação com o observador interno que me distingo das várias subpersonalidades reconhecendo-as, aceitando-as. Assim, em vez de afirmar “eu sou triste” posso dizer “eu fico triste”. Você, leitor, poderá perguntar qual a vantagem de observar minhas subpersonalidades assumindo a posição de observador interno. Eu respondo que o primeiro grande achado, a primeira grande vantagem é a de poder escolher ser ou não a subpersonalidade, dependendo das situações com que me defronto na vida. Então, em função da atitude amorosa, atenta, objetiva, imparcial do observador interno, eu me liberto de “minha tristeza” – ela é vista “lá fora”, fugidia, variável. Já não sou mais possuída pela tristeza; ao contrário, eu a possuo – tudo graças ao observador interno, este sim parte de nós que permanece sempre o mesmo. Aprendi também que, ao vivenciar o observador interno como um eixo para o resto da personalidade, ele se constitui numa fortaleza interior à qual posso recorrer sempre que quiser me re-establizar. Foi desta maneira que vivenciei o meu observador interno descobrindo que, através desse desapaixonado eixo “eu me aproprio de mim mesma” e passo a Ter a possibilidade de provar a liberdade de escolha. (*) Mercedes Saad é licenciada em Filosofia pela USP e professora de idiomas; participa do Programa Internacional de Educação do Bach Centre, da Inglaterra; é segundo-anista do Curso de Formação em Psicossíntese pelo Centro de Psicossíntese de São Paulo. |
|
|
Centro de Psicossíntese de São PauloCentro de Estudos, Vivências e AutoconhecimentoTel.:(55) (11) 3082-7665, Fax: (55) (11) 3082-4738 |